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6 de set. de 2011

Entrevista: Roberta Dietrich

Roberta Dietrich nasceu em Lages - Santa Catarina e cursou jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí - Univali, onde se formou em 1997. Aos 38 anos de idade e com quase 20 anos de carreira, a jornalista é reconhecida por uma característica indispensável na profissão: o amor pelo que faz.

No começo da carreira, trabalhou durante nove meses na TV Vale do Itajaí, hoje RICTV Record, e logo em seguida trabalhou durante quase uma década na RBSTV. Atualmente, Roberta Dietrich é coordenadora de jornalismo da TV Litoral Panorama de Balneário Camboriú. Na emissora, ela também apresenta o programa “Panorama Geral”. Além disso, trabalha como editora e apresentadora do “Bom Dia Transamérica” e diretora geral, produtora executiva e apresentadora do programa “Bem Viver”.

DM: Quando você descobriu o jornalismo como profissão?
RD:
Sempre tive na fala e na escrita minhas maiores paixões - desde muito pequena. Além disso, sempre fui contestadora, meio adolescente rebelde e o resultado natural foi buscar o jornalismo. Meus pais sempre garantiram ensino de qualidade e liberdade para a escolha da minha profissão. Sou filha de uma professora de português e de um pequeno empresário. Foram e são minha inspiração para a batalha diária.

DM: Como foi a sua passagem pela RBSTV?
RD:
Lá, passei por quase todos os programas. Fui apresentadora e editora do “Bom Dia Santa Catarina”, fiz reportagens para todos os programas da emissora, além de participações nacionais no programa da Ana Maria Braga e do Faustão... “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje” e até a Copa do Mundo pela TV Globo Internacional, entre outros... Foi um tempo ótimo, trabalhei muito, às vezes sem folga e sem finais de semana, mas aprendi demais e tive grandes colegas que mantenho contato até hoje. É uma grande empresa e uma escola incomparável!

DM: E hoje, como é ser coordenadora de jornalismo da TV Litoral Panorama?
RD:
Amo o que eu faço e vou tomar para mim uma frase do jornalista Caco Barcellos. "Jornalismo é contar histórias e na TV é contar histórias para muita gente". Na TV Panorama, a gente sabe exatamente para quem está falando. A abrangência é pequena, então sabemos que cara tem o nosso público e falamos o que ele quer e precisa saber. Fazemos um jornalismo comunitário, social e extremamente informativo. Nossa rotina é como a de qualquer outra redação. Sempre em busca da pauta, sempre correndo contra o tempo, sempre tentando fazer o melhor. E nossa equipe faria inveja a muitas emissoras!



DM: Na TV Litoral Panorama, você também apresenta o “Panorama Geral”, um dos principais programas da grade de programação da emissora...
RD:
O “Panorama Geral’ é um programa comunitário que preenche uma lacuna social: ouvir as pessoas. Nós ouvimos as pessoas! Sem assistencialismo barato e com responsabilidade. É tudo ao vivo! Então no mesmo programa alguém liga reclamando da falta de água, por exemplo, e na hora nossa produção busca a resposta com o responsável pelo atendimento. Ou a própria autoridade liga na emissora, dando a dimensão da nossa audiência. Se os serviços públicos não fossem tão ruins, talvez o “Panorama Geral” não tivesse tanto sucesso.

DM: Ainda sobre o “Panorama Geral”... Durante o carnaval deste ano, você apareceu fantasiada de bruxa no programa e disse que a caracterização era uma homenagem ao prefeito de Balneário Camboriú, Edson Renato Dias (Periquito). O que realmente aconteceu?
RD:
Repito o que já disse várias vezes no programa: “quem quer elogio deve ligar para o pai ou para a mãe.” Eleitor e jornalista precisam ter senso crítico. Então a gente crítica, abre espaço para o povo falar o que pensa - normalmente cobrando, mas às vezes, até agradecendo uma obra. Certa vez o prefeito me chamou de "bruxa" numa emissora de rádio. E para entrar na brincadeira, era carnaval, eu fui fantasiada de bruxa... Afinal, bom humor é tudo!

DM: Mudando de assunto... Você também apresenta o programa “Bem Viver”.
RD:
O “Bem Viver” é um "filho". Nasceu em 2006 durante a minha última licença maternidade! Foi uma forma de ser empreendedora não dependendo de empregador para viver. Foi uma criação minha com a ajuda de muitos amigos como Vanessa Leal, Bhig Villas Boas, Luana Pompeu, Roberta Ramos, Edson dos Santos, Carol Westerkampt, entre outros. Ele nasceu local voltado para os setores de arquitetura, construção civil, design e paisagismo que estavam e estão em alta. Era veiculado pela RICTV Record, Record News e hoje está na TVBV-BAND, chegando a mais de 200 cidades catarinenses...

DM: E a sua relação com a política?
RD:
Nunca fui partidária, mas sempre gostei dessa editoria. A gente precisa saber mais e participar mais da política. Como diria Lula: "quem não gosta de política acaba sendo governado por quem gosta". Eu trabalhei em três campanhas eleitorais, sempre como profissional técnica - redatora, roteirista, repórter e sempre foi apaixonante. O processo é muito estimulante e é outra escola para a atividade do pensar e planejar a comunicação. Recomendo como escola, como aprendizagem!

DM: Durante a carreira, qual foi a sua maior gafe no telejornalismo?
RD:
Olha, sempre tentei me preparar para as entrevistas. Isso diminui sempre o risco de mico. Mas uma vez, um especialista foi falar de espécies raras no “Bom Dia Santa Catarina” na RBSTV e ele falou de uma espécie ameaçada. Eu achei que era um pássaro, mas era um tipo de roedor e ele me corrigiu na hora. Bola fora! (risos).

DM: Depois de quase duas décadas de carreira na televisão, você descobriu o rádio. Como está sendo esta descoberta diária?
RD:
Tem sido apaixonante. O “Bom Dia Transamérica” vai ao ar todas as manhãs e é essencialmente jornalístico. Temos ótimos temperos com comentários, muita interatividade com o ouvinte que nos manda mensagens sobre o que está acontecendo no amanhecer da região e muito bom humor. Nas notícias de esporte, por exemplo, eu demonstro claramente minha torcida pelo Corinthians e tem domingo que o ouvinte já começa a tirar sarro de mim no fim da tarde se o timão perde (risos). É divertida e forte essa troca!

DM: E para o futuro, o que você espera da profissão?
RD:
Espero que a comunicação local seja cada vez mais fortalecida. Afinal, interessa mais ao ser humano saber o que acontece na sua rua do que no Japão. Embora tudo influencie - mais ou menos- a nossa rotina. Espero que a tecnologia não suprima a responsabilidade na apuração e a divulgação da informação.

DM: E para terminar esta entrevista, qual é o recado que você deixa para os leitores deste blog sobre o jornalismo.
RD:
Desejo de coração encontrar uma nova geração de jornalistas menos "bunda mole", mais apaixonada e mais ética do que a que está aí na sua maioria. Claro que com honrosas e deliciosas exceções, graças a Deus! Se você está fazendo jornalismo em busca de reconhecimento, fama ou elogio mude já de profissão. Mas se você tem aquela paixão por contar histórias, quer mudar o mundo - nem que seja um pouquinho, pretende agir com seriedade e não "vender" ou "alugar" sua opinião, seja muito, muito, muito bem vindo. A casa é sua!

10 de jul. de 2011

Entrevista: Flávia Jordão

Nascida em Angra dos Reis – Rio de Janeiro, Flávia dos Santos Jordão (foto) é hoje uma das principias jornalistas de Santa Catarina. Aos 30 anos de idade, ela ocupa um dos mais importantes cargos do telejornalismo da região. A coordenadora de jornalismo da RICTV Record se formou em Comunicação Social em 2003 pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali. Nesta entrevista exclusiva, Flávia Jordão fala sobre: carreira, concorrência e futuro profissional.


DM: Hoje como coordenadora de jornalismo da RICTV Record Itajaí, o que você utiliza da sua experiência como repórter?
FJ: Como fui repórter, hoje facilita no que eu preciso cobrar da minha equipe. Eu sei o que dá para fazer na rua, como fazer e o tempo que um repórter leva de uma fonte até outra. A dificuldade de fazer uma enquete, por exemplo. Como já atuei em quase todas as áreas que coordeno fica mais fácil cobrar, exigir. Além de repórter, também fui produtora, pauteira, apresentadora e editora de texto.


DM: Como surgiu o convite para ocupar um cargo tão importante?
FJ: Eu era estagiária na TV e na Rádio Univali ao mesmo tempo, era bem corrido, mas a experiência foi muito importante para o aprendizado. Pois na Universidade, ficamos muito na teoria. Quando me formei fiquei sem emprego, tiver que sair dos dois estágios. Nessa época deu um “frio na barriga”, uma insegurança, será que escolhi a profissão certa? Mas depois de um mês surgiu uma vaga de repórter na TV Record e a coordenadora na época Christiane Pinheiro me chamou e me deu uma oportunidade. Mas fui bem difícil no começo, pois até então só tinha trabalhado na produção. Até segurar o microfone era complicado (risos). Pois quem olha de fora parece fácil, mas você gravar uma passagem na rua, com várias pessoas te olhando, era realmente apavorante... Mas com o tempo isso foi passando, fui ganhando firmeza, segurança e conseguindo conversar com a câmera. E a cada dia fui ficando mais apaixonada pela televisão, pelo dia a dia, sem rotina.
Depois de um tempo como repórter surgiu o convite para assumir a coordenação. Um outro desafio, pois comandar uma equipe não é fácil. Mas graças a Deus e muita paciência (risos), acho que consigo ser uma boa coordenadora. Mas essa é uma pergunta tem que ser feita para a minha equipe é claro!
Mas falando sério, o importante pra mim é que minha equipe fale a mesma língua, que seja integrada e que se ajude. Nossa meta é trabalhar pelo bom desempenho da nossa programação local. Eu também preservo muito a confiança e a possibilidade de poder contar com eles em qualquer ocasião. Pois o jornalismo não é um trabalho regrado, com hora exatamente certa para entrar e sair. Já tive que chamar repórter de madrugada, pela manhã, na folga, no natal, isso é normal na nossa profissão e é preciso se acostumar.



DM: E já surgiram convites/propostas de outras emissoras?
FJ:
Já sim, faz um tempinho (risos). Mas eu adoro o que faço, onde estou, a RICTV Record é minha segunda casa.


DM: Em sua opinião, qual é o principal desafio de um cargo deste tipo?
FJ:
O meu desafio diário é manter uma programação de matérias, links de assuntos regionais que chamam a atenção do telespectador. Tem dias que tudo acontece, é mais fácil. Mas tem dia que não acontece nada, temos que ter criatividade e criar algo, rápido, pois nosso público espera um jornal bom, de qualidade todos os dias.


DM: Você falou em público, a audiência é uma coisa que te incomoda?
FJ:
Não me incomoda. Pois independente da medição do Ibope, todos os dias eu dou o meu melhor e minha equipe também, para fazer um telejornal com qualidade.


DM: Há quatros anos, o “Jornal do Meio Dia”, principal produto da RICTV Record Itajaí, é líder absoluto de audiência no horário em toda a região. Em sua opinião, quais são os motivos de tanto sucesso?
FJ:
A regionalização, nós falamos para o povo daqui e também estamos sempre preocupados em saber a opinião do público e de saber o que eles gostariam de ver na tela do “Meio Dia”. E já são 15 anos de credibilidade, conquistada e reforçada diariamente.


DM: Por falar em “Jornal do Meio Dia”, como você analisa as várias críticas em relação aos merchandisings que são exibidos durante o telejornal?
FJ:
Estamos sempre discutindo sobre este assunto, pois temos que satisfazer o cliente que confia na nossa credibilidade, sem comprometer o programa. A situação melhorou muito e tudo pela qualidade, já tivemos seis e até oito inserções. Hoje são apenas quatro e com tempos de 30 segundos ou no máximo um minuto. Mas é uma área que está sempre sendo avaliada por mim, em conjunto com o diretor regional da emissora, Alexandre Rocha.


DM: Durante algum tempo, você apresentou ao vivo o principal telejornal da emissora com o Graciliano Rodrigues. Como foi essa experiência?
FJ:
Ótimo! Eu adorava! Era muito corrido. Na época, eu já era coordenadora de jornalismo da emissora e sou eu que decido o que vai para o ar, matérias que entram e que saem do roteiro. Quando eu apresentava essas decisões eram tomadas ali na bancada, era bem difícil e acabava tirando a minha concentração na apresentação. Mas foi um período muito bom mesmo. Além disso, o reconhecimento do público não tem preço.


DM: E as gafes... Foram muitas?

JF: São duas inesquecíveis (risos). A primeira eu apresentava o “SC no Ar” e caiu o TP (teleprompter), e eu não estava com a lauda/roteiro na mão. Aí eu disse para a câmera: só um pouquinho! Molhei o dedo na boca e comecei a procurar a lauda certa para continuar o jornal. Já a segunda gafe foi na apresentação do “Record em Notícias” também com o Graciliano. A gente estava com o link com o professor Ricardo Guedes. Quando encerrou, eu agradeci: obrigada Eduardo Guedes... Aí o Graciliano brincou comigo: você está pensando no Edu? Ele está lá no “Hoje em Dia”, não no link.



DM: Para o futuro, quais são seus objetivos?
FJ: Primeiro que a nossa profissão tenha reconhecimento, que as empresas preservem a qualidade e exijam o diploma. Eu ainda quero aprender a editar, me qualificar mais, está faltando ainda um pouco de tempo nessa minha vida maluca de jornalista, esposa e mãe.


DM: E para os leitores deste blog, qual é o recado?
FJ: Para os novatos que sempre busquem a qualidade e entendam o poder que tem a palavra de um jornalista, tanto em um texto de jornal, quanto rádio ou TV. A nossa profissão pode ser fiscalizadora, denunciar fatos, mostrar lindas histórias, tragédias, temos um “poder” imenso. Mas se for utilizado sem caráter pode comprometer a vida de muita gente.
Outra coisa, a televisão tende também a demonstrar um certo “glamour”, esqueçam, pois isso passa, o que importante é o companheirismo, a humildade do profissional.
Muita garra, e não esqueça nada de ser “filho da pauta”, um jornalista tem que ter criatividade e sempre uma carta na manga. Quero também aproveitar o espaço e agradecer a família linda que tenho, sem eles não seria nada. Beijão para os meus três amores, Fábio, Guilherme e Bruno.

13 de mar. de 2011

Entrevista: Juliana Senne

Nascida em Balneário Camboriú, Juliana Ariana de Senne Corrêa cursou jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí – Univali e se formou em julho de 2008. Aos 26 anos de idade, ela é coordenadora de jornalismo da TVBE de Itajaí, onde apresenta a segunda edição do “Jornal da TVBE”.

DM: Como é a sua rotina de trabalho na TVBE?
JS:
Trabalho há mais de quatro anos lá. Hoje comando o departamento de jornalismo da emissora, com uma equipe de estagiários, editores, apresentadores e com um comentarista político. Sou responsável por fazer roteiros dos programas jornalísticos da casa, também assumo o conteúdo editorial e faço a correção das matérias após o processo de edição. Gosto do trabalho na TVBE porque acredito que temos um caráter bem comunitário, de assistência social, sem deixar de lado o fato... a informação, fundamentais no jornalismo. Também temos uma grande aproximação e identificação com o telespectador que nos liga, manda e-mails e ainda vem à recepção da emissora para dar sugestões de pauta. É muito bacana saber que o jornalismo também pode funcionar como uma ferramenta de ligação entre a população e o poder público.

DM: Quando você descobriu que queria ser jornalista?
JS: Não sei dizer quando, mas fiz uma reflexão sobre isso há alguns anos. A resposta talvez tenha relação com uma brincadeira de infância. Eu brincava de fazer jornalismo usando um rádio gravador, lia notícias e depois escutava as gravações. Lembro que usava uma fita velha que ganhei junto com uma boneca da Angélica. Era um “Jornal Nacional” feito por duas meninas. Antes o jornal, depois partes que sobraram da música “Vou de Táxi” (risos).

DM: E a família, foi contra sua escolha?
JS:
Minha família não interferiu em minha escolha profissional, mas com exceção do meu pai, todos os outros membros da casa mostraram receio pela profissão. Acredito que na opinião da grande maioria, ser jornalista é para poucos. Dentro da minha família, o jornalista tem status social de inteligência e respeito. Em outras palavras a preferência era por carreiras tradicionais como advogada e professora.

DM: Juliana, você disse que já está a quatro anos na TVBE. Em quais outros veículos você já trabalhou?
JS:
Já trabalhei no jornal Diário da Cidade, Rádio Univali, Rádio 106,7 e também na TV Univali. Foi uma experiência maravilhosa porque aprendi a ter qualidade no texto televisivo, convivi com ótimos e competentes profissionais. Foi importante, mas percebi que meu perfil era para jornalismo diário, na rua, com aquela rotina onde às vezes fica difícil até mesmo um café no fim da tarde.

DM: Você falou em aí em preferências, mas qual é a sua reportagem preferida?
JS: Sou bem eclética, mas gosto de pautas com assuntos polêmicos e policiais. Mas também sou criativa na editoria de economia. Acho que as melhores reportagens são as que você tem tempo e chance de criar, explorar o assunto de forma atrativa. Às vezes até mesmo um simples buraco de rua ou um incêndio no porto podem sair boas reportagens. Tudo depende do repórter.

DM: E conta para os leitores: até hoje, qual foi a sua maior gafe na TV?
JS:
Tive muitas gafes cômicas! Uma que me recordo foi de uma ocorrência policial que cobrimos. Fomos ao local fazer a pauta com pressa porque tínhamos mais uma reportagem em andamento, era a terceira da tarde. Na saída do local, onde foi encontrado um desmanche de carros, estavam vários curiosos (moradores e pessoas que passavam pelo local). No caminho até o carro eu deixei o salto do sapato preso em uma lajota. Tive que conter o sorriso envergonhado. Também ocorreu uma gafe ao vivo! Na minha primeira apresentação do telejornal da manhã da TVBE eu abri uma nota do Diarinho para ler, mas não deu tempo de modificar o texto porque voltamos do intervalo. Sofri horrores porque tinham cinco palavrões em cada parágrafo. Enfim, tenho muitas histórias (risos).

DM: O que você ainda deseja dessa profissão para o futuro?
JS:
No campo do profissional eu não sonho, mas traço metas. Desejo poder ter a chance de voltar às ruas e fazer cada dia uma reportagem diferente. Continuar na profissão, superando meus limites, manter o processo de reciclagem e saber que sempre pode surgir a melhor reportagem, um novo furo, um elogio por um trabalho bem feito. É isso que desejo, fazer jornalismo como um padeiro faz o seu pão. Sem rodeios, fazer o que eu realmente gosto.

DM: E para terminar, uma mensagem para os leitores do blog em relação ao jornalismo.
JS:
A mensagem que deixo é para os que estão interessados em seguir essa carreira. O jornalismo é fascinante, mas atenção: também é um bichinho que te consome todos os dias. Quem é jornalista sabe que vive a profissão 24 horas. Acorda pensando em pauta e dorme avaliando como foi à produção do dia. Realmente uma profissão para os amantes e não para telespectadores! Hoje eu não vejo apenas uma reportagem na TV, meu olhar é para a forma como foi feita a passagem, a criatividade dos Offs, a letrinha errada no GC. Em muitos casos é insuportável ver uma reportagem! Exatamente porque nos envolvemos como profissionais que somos. Por isso saiba que antes de experimentar é importante saber os efeitos colaterais: jornalismo pode viciar! Espero que tenham gostado do meu depoimento. Até mais!

5 de mar. de 2011

Entrevista: Tiago Scheuer

Tiago Scheuer é conhecido também como Xóia e nasceu em Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina. Em 2005, concluiu o curso de jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí – Univali.

DM: Quando descobriu que queria fazer jornalismo?
TS: Desde meus sete anos de idade, quando meu pai comprou uma câmera filmadora, eu já fiquei fascinado com a "nova brincadeira". Curtia muito gravar coisas em dezenas de fitas VHS e usar o meu irmão como cinegrafista. Foi uma brincadeira que acabou ficando séria. E que me dá muito prazer até hoje. Não me lembro de ter pensado, com intensidade, em fazer outra coisa da vida na adolescência.

DM: Além de TV, você já trabalhou em que outros meios de comunicação?
TS:
Já trabalhei em rádio. Tanto na rádio da Univali, onde estagiei durante os nove períodos do curso de jornalismo, quanto na Transamérica Pop, em Balneário Camboriú. Foi uma baita bagagem pra encarar o universo da televisão.

DM: Como foi sua passagem pela RICTV Itajaí e pela RICTV Florianópolis? Além disso, como foi sua transferência de uma pra outra?
TS:
Entrei na Record Itajaí em janeiro de 2006 (na época ainda não era RIC) e fiquei por lá até o começo de 2008. Foi uma experiência fantástica, aprendi muito, amadureci e conheci profissionais excelentes! Acabei focando em jornalismo esportivo por um tempo e fui convidado para trabalhar em Florianópolis, assim que houve a implantação da RICTV em Santa Catarina. Na capital, virei repórter exclusivamente de esportes. Cobria muito futebol, com o Avaí e também o Figueirense. Uma época divertida e de novos aprendizados.

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DM: Como foi sua experiência na Alemanha e como surgiu o convite?
TS:
Fiz a inscrição para um estágio na Deutsche Welle, emissora internacional de rádio e TV no país. A experiência seria radiofônica, na cidade de Bonn, antiga capital alemã. Através de currículo e portfólio, fui selecionado meses depois. Morei em Bonn e adorei o país. Estudei alemão um ano antes de ir, falo o básico, me viro. O trabalho era em português/inglês. Atuei na redação portuguesa com notícias voltadas aos países lusos da África. Uma experiência enriquecedora e que durou três meses.

DM: Após o seu retorno, surgiu o convite da RBSTV Blumenau. Como foi?
TS:
Ainda estava na Alemanha, terminando o estágio, quando me ligaram pela primeira vez. Aceitei o convite de freelancer dias após chegar ao Brasil. Percebi que poderia ser bom para engrossar a experiência profissional. Trabalho com algumas pessoas que eu já conhecia anteriormente (inclusive duas delas se formaram comigo), então eu fui muito bem recebido e me sinto em casa. O ambiente é ótimo e os profissionais muito competentes.

DM: Hoje, qual é a sua reportagem preferida?
TS:
Hoje em dia gosto muito de fazer comunidade. Reportagens que melhorem a vida de pessoas de alguma forma. Isso me satisfaz, percebo que o jornalismo pode contribuir. Além disso, reportagens que possibilitem criar coisas novas, sempre me instigam. Gosto de me desafiar e de estar em sintonia plena com o cinegrafista o tempo inteiro. Eles são os nossos "olhos". E a reportagem, nada mais é, do que um filminho. Precisa ser "campeã de bilheteria" na hora que está sendo exibida e mexer com o telespectador.

DM: Xóia, como você falou anteriormente, o esporte faz parte da sua carreira. Você se considera um repórter esportivo?
TS:
Gosto muito de fazer matérias de esporte, mas não sei se hoje me considero um repórter exclusivamente esportivo. Até porque não estou só no esporte na RBSTV. Foi uma vertente que surgiu, nunca almejei, mas que agarrei quando tive oportunidade. Gosto de variar, não ter rotina, mas fazer apenas esporte confesso, também é muito tentador.

DM: Desde o início da carreira, qual foi a sua maior gafe?
TS:
Vou contar uma delas. Estava fazendo um "vivo" no jornal da hora do almoço, na época em que trabalhei na Record Itajaí, no shopping da cidade. Entrevistava várias pessoas, era um quadro de "embaixadinhas". Aí fui falar com um dos candidatos e ele disse que fazia mágicas com cartas. Então, desafiei ele a fazer um truque ao vivo. Ele prometeu, sem olhar, adivinhar a carta que eu tirasse do maço. Tirei uma, mostrei pra câmera para que os telespectadores vissem, e devolvi pra ele. Na hora que ele embaralhou e foi me mostrar a carta para que eu confirmasse se era aquela que eu tinha tirado antes, eu não sabia responder! Afinal, mostrei apenas para os telespectadores e esqueci de observar ali, pessoalmente. Eu não sabia onde enfiar a cara. Estraguei a mágica do entrevistado e não tinha mais tempo pra repetir. Ao vivo tem dessas e, mesmo assim, é o que eu mais gosto de fazer na televisão.

DM: Essa foi boa! E Para o futuro, quais são seus objetivos na profissão?
TS:
Pretendo ir além, lapidar ainda mais o meu trabalho, aprender sempre com quem trabalha comigo e observar muito os outros. Ainda almejo atuar em um grande centro.

DM: E qual o recado que você deixa para o leitores do blog sobre o jornalismo.
TS:
Ser jornalista é estar "no ar" 24 horas por dia. Não tem como deixar de ser, mesmo quando você está em casa, descansando. A mania de sempre estarmos ligados, de olho nas situações, ver o que rende futuras reportagens, é constante. É uma profissão cansativa, mas gratificante. Melhor ainda quando é possível aguçar o senso crítico do público sobre determinado assunto.

26 de fev. de 2011

Entrevista: Edivaldo Dondossola

Edivaldo Dondossola nasceu em Criciúma no sul de Santa Catarina, mas foi criado no município vizinho, Forquilhinha. Aos 25 anos de idade, ele está há cerca de um ano na RICTV Record de Criciúma. Em 2007, Edivaldo concluiu o curso de jornalimo na Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul de Tubarão.

DM: Quando descobriu que queria ser jornalista?
ED:
Desde sempre. É engraçado, mas minha mãe conta que desde os tempos do primário eu já dizia que queria ser jornalista. Nunca desejei fazer outra coisa.

DM: Sua família foi contra sua escolha?
ED:
Não diria que foi contra. Mas minha mãe relutou um pouco no começo. Ela sabia que vida de jornalista não é das mais estáveis: hoje se está em uma cidade, amanhã em outra. Na verdade, acho que ela só tinha medo de que eu fosse morar muito longe. Mas hoje em dia, toda a família apóia muito meu trabalho e tem bastante orgulho da carreira que eu escolhi.

DM: Você já trabalhou em outros veículos de comunicação?
ED:
Sempre trabalhei só em TV. Nunca trabalhei em rádio ou em jornal impresso. Durante a faculdade, até fiz um estágio em assessoria de imprensa, na própria universidade, mas não gostei, não.

DM: Você já trabalhou em várias emissoras de televisão em Santa Catarina. Entre elas, você fez uma rápida passagem pela RBSTV, como foi à experiência?
ED: Na RBSTV, eu fui apenas repórter freelancer. Isso foi antes da UnisulTV, quando eu ainda estava no 7º semestre da faculdade. Eu cobri as férias de uma jornalista, fazia o que todo repórter de praça faz: matérias para os blocos locais do “Jornal do Almoço” e do “RBS Notícias”. Foi uma passagem breve, mas uma escola muito importante: foi a minha estréia no jornalismo diário, foi lá que eu fiz a primeira reportagem da minha vida. Abriu muitas portas para mim. Quando terminei de cobrir as férias lá, a UnisulTV me chamou e fui contratado. Já vai fazer cinco anos no próximo mês de julho. Desde então, eu nunca mais parei de trabalhar.

DM: Você falou da UnisulTV, como foi?
ED:
A experiência na UnisulTV foi essencial para mim, me marcou muito. Terei sempre um carinho muito especial pela emissora e pelos profissionais de lá: foi à primeira empresa que assinou minha carteira de trabalho como jornalista. Foi para trabalhar lá que eu saí da casa dos meus pais pela primeira vez, aos 20 anos de idade. Eu e meus colegas, na época, praticamente ajudamos a fundar a emissora, íamos pra rua gravar quando ninguém ainda sabia o que a UnisulTV era exatamente. Hoje é bem diferente, a emissora se consolidou como um dos principais meios de comunicação de Tubarão e região. Quando saí de lá, três anos depois, senti-me orgulhoso por saber que eu também fiz parte daquela história de crescimento.

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DM: E na TVBV?
ED:
Deixei a UnisulTV porque surgiu o convite da TVBV, que estava implantando uma sucursal de jornalismo em Criciúma. Mas fiquei pouco tempo lá. Três meses depois, apareceu à oportunidade na RIC Record, a proposta era boa, a visibilidade era bem maior e eu fui. Mas fiz muitos amigos na TVBV, valeu pela experiência.

DM: Qual a sua reportagem preferida?
ED:
Gosto de quase todos os tipos de reportagem, mas me identifico muito com o factual. O que está acontecendo ali na hora, que é importante e o que vai virar manchete nos jornais do outro dia. Mas não me satisfaço em cobrir o factual no estilo "feijão com arroz": gosto de buscar um ângulo diferente, algum detalhe que os outros não conseguiram perceber na hora da correria, gravar uma boa passagem, se possível criativa, que acrescente um novo olhar sobre o tema.

DM: Agora a parte boa, durante a carreira, qual foi o seu maior deslize? Aquele que você considera inesquecível.
ED:
Ah, meu Deus. Com o jornalismo diário, é impossível não cometer alguns deslizes. Mas acho que o pior deles foi ainda na Unisul TV. Além de fazer reportagens diárias, eu também substituía os apresentadores durante as folgas ou as férias na bancada. Para mim era tranqüilo, gostava muito do estúdio. Mas jornal ao vivo tem dessas coisas. A gente usa pontos eletrônicos para se comunicar com o pessoal do switcher. Nesse dia, apareceram vários assuntos que tinham que entrar no jornal de última hora e eu cheguei atrasado no estúdio. O técnico não teve tempo de grudar direito o ponto eletrônico e ele ficou deslizando da minha orelha nas primeiras matérias que eu chamei.
O terceiro ou quarto assunto do roteiro era um VT mais longo de quatro minutos, então eu pensei: "ufa, vou ter tempo de arrumar isso aqui". Eu chamei a matéria, entrou normalmente. VT no ar tinha tempo de sobra e eu me debrucei sobre a bancada para puxar um pouco os fios que estavam caindo. Segundos depois, eu olho para o monitor e me vejo. Mas não dei importância porque, durante essas matérias mais longas, o pessoal costumava aproveitar o tempo de sobra para fazer alguns testes de vídeo com as câmeras de estúdio e eu aparecia nos monitores de mesmo sem estar realmente no ar. Achei que fosse mais um desses e continuei debruçado, puxando os fios. De repente, pelo ponto eletrônico, eu ouço o cara do gritando desesperado: "voltou, voltou! Edivaldo, voltou!".
Quando me dei conta do que estava acontecendo, eu queria me enfiar debaixo da bancada, mas já era tarde demais. Então, fingindo estar muito calmo, eu voltei a sentar retinho e chamei a próxima lauda: "Veja A Seguir". Graças a Deus era o intervalo. Quase morri de vergonha, mas fazer o quê? Essa imagem ainda está guardada nos arquivos da emissora. Hoje eu assisto e dou risada, mas, na hora, foi muito constrangedor.

DM: Vamos falar de futuro Edivaldo. O que você ainda espera do jornalismo?
ED:
Queria muito que a profissão fosse valorizada como deveria: jornalismo é um serviço indispensável na vida do cidadão. É um direito constitucional inclusive, está lá: "é assegurado a todos o acesso à informação". Mas não é qualquer tipo de informação. Tem que ser informação de qualidade, apurada e transmitida por alguém que entenda do assunto e tenha se preparado pra isso. Quando você está com dor de dente, você vai ao dentista, que é o profissional que se especializou pra esse tipo de atendimento. Já a notícia, não.
Hoje em dia (principalmente na internet) qualquer um se acha no direito de dizer o que quiser, mesmo que não seja verdade, e fica por isso mesmo.

DM: E para concluir essa nossa conversa, uma mensagem para os leitores do blog sobre o jornalismo.
ED:
Acho que muita gente confunde jornalismo com ficar famoso. Muitas pessoas vêem, principalmente no telejornalismo, um lado glamoroso que só existe na imaginação delas.
Grande parte do público, em casa, só enxerga a passagem do repórter, aqueles 15 segundos dentro da matéria em que o jornalista aparece segurando o microfone. Muitos pensam que a gente só trabalha durante aqueles 15 segundos. Muitas vezes, para fechar uma matéria, que no ar dura um, dois minutinhos, é preciso trabalhar um dia inteiro: conversando com as fontes, entrevistando, apurando informações, ouvindo todos os lados. Mas nem sempre as pessoas estão dispostas a lhe repassar a informação que você busca. E o relógio não para e o prazo se esgota e o jornal tem que começar. É uma pressão muito grande.
Outra coisa que a maioria do público não sabe: jornalista não tem feriado, não tem fim de semana, nem mesmo fim de ano. Jornalismo é vocação, quase um sacerdócio. Mas eu gosto muito, não me arrependo da minha escolha.
E se o jornalismo é o que você mais quer na vida, se entregue e trabalhe pra valer. E seja muito bem-vindo ao clube dos "sem folga”, obrigado.

19 de fev. de 2011

Entrevista: Juliana Soares

Para comemorar 30 mil acessos e mais um ano de sucesso. A partir de hoje, você confere aqui no blog, uma série de entrevistas com os principais profissionais da televisão catarinense. Para essa estréia, eu entrevistei a jornalista Juliana Soares (foto). Ela está há quatro anos na RICTV Record e na Rádio Univali de Itajaí. Nascida em Itaqui no Rio Grande do Sul, a gaúcha cursou jornalismo na Universidade de Cruz Alta – Unicruz.

DM: Quando descobriu que queria ser jornalista?
JS:
Acho que a gente nasce para fazer o que faz. Eu sempre fui uma criança que imitava as propagandas, adorava televisão. Essa telinha sempre me atraiu muito e apesar de eu ser jornalista, eu amo TV. Não pelo possível status, mas pela magia de transformar uma história. A televisão te ganha por uma boa narração, um bom texto e uma boa edição. Tudo isso é mágico. Mas é claro que não é tudo. Pois eu escolhi essa profissão para poder dar voz a dor, decepções, angústias e desejos das pessoas. Foi a maneira que eu encontrei de ajudar os outros sem ter rotina. Todo o dia é uma interrogação na minha vida. Não sei com quem vou conversar, que cena vou presenciar, que texto vou escrever e que história vou poder contar. É adrenalina pura!

DM: Sua família foi contra sua escolha?
JS: Contra não seria a palavra certa. Mas minha mãe sempre desejou que eu fosse bailarina profissional, na época fazia ballet e até dança do Folclore Gaúcho. Meu pai preferia que eu seguisse uma área que pudesse me dar mais estabilidade, como direito, por exemplo, mas apesar da minha escolha, nunca me desmotivaram.

DM: Como foi sua experiência no Rio Grande do Sul?
JS:
Indispensável. Foi lá que conheci o jornalismo, como ele realmente é. E tive a certeza que me apaixonei por uma profissão que me fascina diariamente. Já na época da faculdade tive a oportunidade de ingressar no maior grupo de Comunicação do Estado - RBSTV como estagiária. Mais tarde entrei como freelancer e depois fui efetivada no grupo. Uma experiência única, já que na época esse era o sonho de 90% dos estudantes de jornalismo do estado. Na RBSTV, coloquei em prática o que aprendi na faculdade e tive a chance de descobrir o que só a rotina te possibilita. Aprendi edição de imagem, texto, postura em bancada, apresentação de programas. A rotina te envolvia em todas as áreas. Proporcionando um conhecimento pleno. Produzi matérias locais, para a rede em todos os telejornais, emplaquei matérias nacionais. Uma verdadeira escola, com mestres inesquecíveis.

DM: Então, você já trabalhou na RBSTV. Como foi?
JS:
Foi um período muito rico da minha vida profissional. Quando fui contratada como freelancer, foi para cobrir a licença maternidade de uma colega. Ela apresentava o “Bom Dia Rio Grande” local e o “Globo Esporte”. Assumi essas duas funções e mais a parte de reportagem esportiva. Mais tarde, ganhei a chance de entrar na bancada do “Jornal do Almoço”. Dividindo o programa com a jornalista Carla Fachim. Um pouco antes de deixar a empresa, fui convidada para assumir a bancada do “RBS Notícias”, na cidade de Santa Cruz. Um novo desafio, já que o jornal naquela cidade era o que tinha maior audiência e estava sem um âncora fixo. Mudei de cidade e aceitei o desafio. Uma cidade nova, colonizada por alemães e muito bairrista. Foi um período de adaptação e aceitação de ambas as partes. Eu e telespectador, mas para o meu currículo e experiência profissional e pessoal foi excelente.

DM: Durante esses anos de jornalismo, qual foi sua maior gafe?
JS: Precisa contar (risos)?

DM: Com certeza, essa é a melhor parte!
JS:
Vamos lá. Isso faz parte da vida de qualquer um. Pelo menos eu espero. Tenho algumas que até hoje me fazem rir sozinha. A primeira foi quando fui fazer a matéria em um velório de um jovem que foi assassinado na região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Quando cheguei para falar com o pai. E naquela pilha, perguntei se estava tudo bem, foi cruel (risos)! A segunda, foi na sede da RBSTV Cruz Alta. Precisava entrevistar um deputado ao vivo no estúdio e ele chegou com um assessor. Foi para o camarim e eu fiquei conversando com o acompanhante. Ou pelo menos tentei. Perguntei um monte de coisa e nada do assessor responder. Já estava ficando de cara. Foi quando o deputado entrou e me disse que ele era surdo e mudo (risos) Imagina a minha situação, ou melhor, nem tentem imaginar. Acho que essas duas já está bom para começo de carreira.

DM: Atualmente, você faz parte de uma equipe que trabalha com o jornalismo factual, mas e você: que tipos de reportagem você prefere?
JS:
Para mim toda matéria é única. Mas cada um tem uma tendência. Por isso curto fazer reportagens de variedades, especiais, séries de comportamento. Um tipo de produção que me permite criar, ousar.

DM: E para o futuro, o que você ainda deseja dessa profissão?
JS:
Desejo ainda mais possibilidades. Hoje o jornalismo caminha junto com a tecnologia. E tem dias que fico passada em pensar no que ainda está por vir. Mas desejo que apesar disso a nossa profissão não perca esse lado humano. De contato diário com as pessoas. De uma boa conversa, de um olhar crítico para situações que possam parecer banais, mas que se trabalhadas podem render uma bela matéria. Além disso, desejo que essa profissão tenha sempre lugar para os que realmente amam fazer jornalismo.

Vídeo


DM: Para encerrar esse nosso bate-papo, mande uma mensagem para os leitores do blog sobre o jornalismo?
JS: Sabe aquele ditado, se conselho fosse bom a gente vendia e não dava. Mas o que sempre gosto de comentar com os meus colegas e até mesmo estudantes da área. É que nessa profissão, você precisa ter Paixão! Não pode ter preguiça, pois você é jornalista 24 horas. Não existe jornalista, seis horas por dia. Se você pensa nisso, esqueça. E tem mais, não entre nela pensando no dinheiro e sim no que você pode fazer pelo outro. Como em qualquer área você precisa gostar do que faz, para fazer bem feito. Essa coisa que você precisa ler livros, assistir TV, saber de tudo não é preciso ficar aqui falando para vocês. Acho que isso é fundamental para o nosso trabalho. A melhor mensagem para um jornalista ou futuro profissional é: tenha loucura por essa rotina. Pois ela te proporciona, sensações, lágrimas, angústias e satisfações impressionantes. É ótimo você ouvir de alguém: que legal aquela matéria, você me ajudou muito! Às vezes você pode mudar a vida de alguém e transformar a sua com uma reportagem. Isso é o que eu tenho á dizer aos meus colegas. Já aos que não são da área: o meu muito obrigada!

15 de set. de 2010

"Foi um acidente", diz Boris Casoy ao relembrar polêmica declaração sobre garis

Em dezembro de 2009, Boris Casoy (foto), âncora do "Jornal da Noite", da Band, fez um polêmico comentário sobre garis durante o programa. Na época, o telejornal exibiu uma chamada que continha a imagem de garis desejando boas festas aos espectadores. Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, o jornalista disse: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho".

O comentário foi considerado de mau gosto e preconceituoso. Casoy desculpou-se ao vivo, mas mesmo assim foi processado, juntamente com a emissora, por associações de classe e também, individualmente, por trabalhadores do ramo. Até o momento, Casoy e a Band foram inocentados dos processos. Em entrevista concedida à revista IMPRENSA para a edição de setembro, o âncora falou abertamente, pela primeira vez, sobre o caso.

Veja, a seguir, alguns trechos dessa conversa.

IMPRENSA - No início do ano, houve aquele episódio do comentário sobre os garis, do áudio que vazou... isso é um lado ruim de poder expressar a opinião?
Boris Casoy - Isso é um acidente. Não foi uma opinião emitida com a televisão no ar. Para mim, estava desligado. Outra coisa: foi uma brincadeira de mau gosto. Ontem eu falei para um sujeito que me cobrou a esse respeito se ele nunca tinha contado piada de português. Eu não tenho nada contra gari, sou uma pessoa muito acessível e isso projetou para as pessoas uma imagem exatamente oposta ao que eu penso. Gostaria até de colocar como foi o incidente. Foi uma falha técnica, e o computador central não sabia o que fazer. Já estava fora do âmbito do estúdio, em outro âmbito na emissora e o computador abriu o microfone da pessoa que estava do meu lado, não foi o meu. Por que eu falei aquilo, que foi uma estupidez... Se você pegar a gravação, você vai ver que teve um porquê. Está na internet. Ao vivo, eu falo, "veja a seguir". E aí entra um pequeno trecho do sorteio da Sena, falando de tantos milhões. E logo em seguida, vem o gari. Eu achei aquilo uma gafe fazer essa contraposição. Aí fechou, o pessoal dá risada. Eu virei e falei: "Que merda, um gari...". Eu estava tirando um sarro de quem teve a infelicidade de editar...e aquilo foi pro ar. Eu não ia dar essa explicação, ninguém me pediu. No dia seguinte, eu não sabia que tinha vazado, fiquei sabendo mais pra frente. Não sabia o que tinha vazado, se não, tinha pedido desculpas na hora, mas fiquei sabendo mais pra frente. No switcher não apareceu, por causa dessa complicação do computador, as pessoas do switcher não ouviram. Depois eu pedi desculpas, enfim.

IMPRENSA - Você estava emitindo uma opinião sobre a edição...?
Casoy - Eu nem posso dizer que era opinião porque era uma brincadeira, uma coisa jocosa, uma brincadeira entre amigos. Como as pessoas fazem sempre.

IMPRENSA - E por causa da visibilidade que você tem...
Casoy - Foi pra internet, infelizmente projetou uma imagem que é o oposto da minha imagem pessoal.

IMPRENSA - A visibilidade da TV tem eu lado negro?
Casoy - Não, você tem que se acostumar, porque você é uma imagem pública, uma hora é cruel, outra hora você não é, uma hora você é isso, aquilo...

IMPRENSA - Por causa dessa questão da opinião, você é estigmatizado?
Casoy - Tem gente que acha que eu sou um homem de extrema direita... Eu critico todas as ditaduras, mas todas as ditaduras. Tem gente que não se conforma, mas eu vou continuar criticando todas as ditaduras. Eu falo algumas verdades sobre o processo de guerrilha brasileira, que não se enfrentou o governo militar para democratizar o Brasil, como eles falam... A guerrilha começou antes do regime militar e era para criar o regime comunista, de diversos matizes... Eu vivo dizendo essas coisas. E as pessoas, especialmente o pessoal mais radical, me odeia

Por Pamela Forti/Especial TV 60 anos

Fonte: Portal Imprensa

27 de fev. de 2010

Entrevista com Roberto Cabrini

Como Roberto Cabrini (foto) faz questão de dizer, “denunciados não mandam flores”. O repórter investigativo mais famoso da TV sabe o que está falando. Prestes a estrear no SBT, com o “Conexão repórter” na quinta-feira, ele fala do perigo que corre, da experiência na Record e do episódio em que a polícia encontrou cocaína em seu carro, há dois anos.


— Você não tem medo de nada?
Nunca existe a certeza da segurança. A experiência me ajuda nas reportagens, mas assumo o risco. Quando vou a uma região de conflito no norte da África (tema de um futuro programa), sei do risco que corro.

— Você anda com segurança?
Recebo muitas ameaças de morte, mas você só recebe ameaça quando faz algo importante. Isso me serve de estímulo. Ando sem segurança, mas procuro ser atento e levar uma vida discreta.

— Por que você saiu da Record?
A proposta financeira foi irrecusável (algo em torno de R$ 350 mil). Mas tive liberdade total na Record. No meu primeiro dia, disse que não faria matéria falando mal da Globo nem da Igreja Católica. Eles aceitaram e foi sempre assim.

— Sua credibilidade foi afetada após o episódio em que a polícia encontrou droga no seu carro?
Caí numa armadilha. Denunciados não mandam flores, fazem isso com você. Confio em quem eu sou e nunca deixaram de confiar no meu trabalho.

— Como será o programa de estreia?
Passamos quatro meses investigando o problema do tráfico de crianças no país. Nos infiltramos nessa máfia e fizemos um programa revelador.

— Qual será o perfil do programa?
Temos uma equipe de 20 pessoas, misturando juventude com experiência. Vamos atrás de temas inéditos e daqueles que já foram falados, mas com um ângulo diferente.

Fonte: RD1

6 de fev. de 2010

Entrevista com Vinícius Dônola

Vinícius Dônola (foto), jornalista, mergulhador e escritor. Mais conhecido pela profissão de jornalista, tem 21 anos de telejornalismo e já integrou por muito tempo o time de repórteres especiais da Rede Globo, onde gravava para o Jornal Nacional e Fantástico.

Vinícius saiu desse time ao ser contratado pela Rede Record no primeiro semestre de 2009. Foi considerada uma das maiores perdas do time de jornalismo da Rede Globo e um grande reforço para as reportagens especiais da Record em seus telejornais e programas jornalísticos.


Em maio, ele estreou com uma série de reportagens sobre os extremos do clima do Brasil. Dentre outros trabalhos ele viajou para a Rússia e recentemente terminou a série de reportagens Um Batalhão Contra o Crime em que ele e sua equipe, chegaram a ser alvos de tiros.

Em 2010 mais um desafio na emissora em que ele ainda não completou nem um ano: vai cobrir, junto com outros jornalistas cuidadosamente escalados, os Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver; o primeiro dos três grandes eventos olímpicos comprados com exclusividade pela emissora no valor estimado em quase US$ 70 milhões no ano passado.

O repórter Douglas Alexandre entrou em contato pelo celular do jornalista e gravou uma entrevista, aqui para o Portal, confira:


Douglas Alexandre: Boa tarde, obrigado, particularmente, por ter aceitado me conceder essa entrevista. Vinícius. Vamos começar pelo trabalho mais recente, você acaba de fazer mais uma série de reportagens para o Jornal da Record, Um Batalhão contra o Crime. Que fechou com uma excelente audiência em São Paulo e uma audiência ainda mais comemorativa no Rio de Janeiro, fora toda a experiência, produção e bastidores. O que você traz desse trabalho, Vinícius, que talvez não tenha ido ao ar? O que mais te marcou?

Vinícius Dônola: Nós, na realização dessa série, tentamos corrigir um grande problema que existe no telejornalismo que é não revelar no ar, não levar ao ar o sabor dos bastidores. Então a gente tentou traduzir ao máximo a tensão e as curiosidades dos bastidores fazendo um relato diário das experiências do 22º Batalhão. Nosso grande desafio foi tentar levar ao ar o sabor dos bastidores e a gente conseguiu traduzir o que foi de tensão o que teve de curioso dos bastidores que aparentemente em outras gravações a gente não teria conseguido, que ta no material líquido. Mas o grande bastidor, a grande emoção dessa história foi aqueles tiros no blindado, a seqüência dos momentos dos disparos que eram feitos contra a gente durou de 5 a 10 minutos na entrada da comunidade. Aquilo certamente o momento mais marcante para equipe toda e ficará marcado pelo resto da vida.

Douglas Alexandre: Você, Vinícius, é um profissional respeitado, conhecido e de muita credibilidade. Ao longo da sua carreira você acumula grandes reportagens, mas ainda tem algum tema, ou algum lugar que você sempre teve vontade de retratar, mas ainda não teve oportunidade? Ou algum lugar que esteja nos seus planos para esse ano?

Vinícius Dônola: Degelo na Groelândia. Ainda nesse ano, quando no Hemisfério Norte for verão e no Hemisfério Sul for inverno a nossa idéia é tentar mostrar na prática o degelo na Groelândia. São questões que eu sempre acalentei e estarei sempre me dedicando.

Douglas Alexandre: Bom, agora você está de malas prontas rumo a Vancouver, para mais este desafio. Afinal é a primeira cobertura olímpica oficial e exclusiva da Rede Record de muitas que virão por aí. Qual é a sua expectativa? O que você já andou vendo dos Jogos Olímpicos de Inverno que te interessou mais e o que você pode nos contar de como será esse trabalho lá? Como você está esperando isso?

Vinícius Dônola: Olha, o trabalho vai ser muito interessante, porque o nosso foco, não será uma cobertura de conquistas de medalhas, não vai ser como a cobertura de um Pan-Americano como o de Guadalajara, por exemplo, ou o do Rio, onde jornalistas brasileiros geram muitas histórias dos medalhistas brasileiros, por exemplo. Então não será uma grande cobertura de resultados e será sim uma grande cobertura de boas histórias. E nós, eu e o Dornelles, não somos os especialistas em esportes e vamos fazer a parte de comportamentos, mas isso não será o melhor da cobertura. Mostrar resultado? Sim, mas principalmente falar da história, para mim isso será um privilégio.

Douglas Alexandre: Fora do jornalismo, Vinícius, qual é o seu hobbie? Você gosta de escrever? Pratica algum esporte?

Vinícius Dônola: Meu hobbie é o mergulho. Eu sou mergulhador, acabei de concluir um curso que é semi-profissionalizante em mergulhos, sou mergulhador técnico. E o meu outro hobbie é escrever, estou no meu segundo livro sobre mergulho e também lancei dois livros infantis. Esses dois livros foram transformados em peças teatrais, inclusive uma dessas peças está em cartaz no shopping da Gávia, estreou no sábado passado. Esses livros são de minha autoria com a minha mulher Roberta Salomone que também é jornalista. O primeiro, fala sobre desmatamento e preservação, o segundo, fala sobre tráfico de animais.

Douglas Alexandre: Vinícius, você foi apresentado na Record em maio do ano passado, integrando um time de jornalismo que ainda está em ascensão. A audiência do Jornal da Record, por exemplo, em 2010 tem superado a do ano passado, batendo recordes dos últimos anos, a emissora já conseguiu a inauguração de um canal de notícias 24 horas para TV aberta, o lançamento do R7.com, entre outros marcos. Como está o profissional Vinícius Dônola, tão experiente nessa nova casa? Está satisfeito? Está aprendendo e ensinando?

Vinícius Dônola: Estou mais aprendendo do que ensinando, apesar dos 23 anos de experiência que tenho em telejornalismo, confesso que mais aprendo do que ensino. E tenho certeza que é só o começo de uma fase de ascensão e de aprendizado para os profissionais que estão aqui e para aqueles que estão chegando também. Nós estamos engatando nesse primeiro evento do ciclo olímpico, é uma honra fazer parte desse momento e espero que seja apenas um dos muitos eventos internacionais que a Record venha a fazer e que eventualmente esteja incluído neles.

Douglas Alexandre: Encerrando essa entrevista, você pode fazer as suas considerações finais, mandar um recado para quem nos lê pelo portal TvAqui e que nos seguem no twitter.

Vinícius Dônola: Olha, agradeço pela oportunidade e espero que as pessoas acompanhem a cobertura de Vancouver 2010, vai ser uma honra estar lá e espero poder fazer bem parte dessa equipe que tem como missão traduzir os povos e a cultura dos esportes de gelo e de neve para os brasileiros e estamos aqui abertos a criticas e sugestões. Pelo twitter eu vou postar algumas informações, vou twittar algumas boas novas de lá, se houver algumas fotos também. E é isso, espero que agrade, vou fazer o possível para que venha uma experiência boa.


Fonte:Tv

3 de fev. de 2010

Entrevista: Ticiana Villas Boas

A jornalista Ticiana Villas Boas (foto), que apresenta o Jornal da Band ao lado de Ricardo Boechat e Joelmir Beting, chama a atenção pela competência, beleza e pelo toque baiano que dá ao jornal todos os dias, às 19h20, na Band. Nesta entrevista, Ticiane revela curiosidades pessoais, detalhes da sua trajetória profissional, revela como chegou à bancada do principal jornalístico da emissora e mostra porque veio pra ficar.

Sempre quis ser jornalista?
Nunca tinha pensado em ser jornalista na infância nem na adolescência. Só sabia que gostava de ler e escrever. A escola que estudei fazia todo ano uma seleção de poemas dos alunos e eu sempre participei. Se chamava "Palavra Vida". Faço balé desde pequena, aos 18 me tornei professora de dança e nesse mesmo período entrei no curso de teatro. Então, na época do vestibular, decidi que iria me inscrever em algo que tivesse ligação com arte, mas não tinha certeza. Só queria que fosse numa Universidade pública. Meus pais não concordaram com a faculdade de dança nem de teatro e sugeriram: "por que não faz jornalismo e se dedica a escrever sobre cultura?". Topei. Tomei outros rumos na área, mas deu certo.

Qual é sua rotina diária?
Jornalista ter rotina? Não conheço um. Nos dois primeiros anos aqui em Sao Paulo fui repórter e quem trabalha na rua não tem horário. Num dia começava às cinco da manhã cobrindo a greve do metrô e no outro tinha que arrumar as malas para viajar. Passei esse tempo sem conseguir me organizar e não conseguia ir para academia ou aula de dança. Só que já estou há um ano e três meses apresentando o Jornal da Band, com horário fixo, e acabei descobrindo que sou mesmo é desorganizada e atrapalhada. Passei esse tempo enrolando na academia. No meu dia só tenho duas certezas: leio um jornal impresso pela manhã e os outros na internet; e a segunda: estarei na Band ao meio-dia para a minha primeira reunião e só saio depois da última, que acontece quando o jornal acaba. Ah, tem um mês que consigo correr e fazer musculação três vezes por semana. Mas tudo isso pode mudar (e tem acontecido com certa freqüência) se aparecer alguma reportagem ou viagem... Aí, volto à estaca zero.


Como chegou à bancada do Jornal da Band?
Comecei a trabalhar em televisão em 2002 como estagiária na TV Educativa. Em 2005 fui convidada para ir para a Band Bahia. Recebi a proposta uma semana antes do carnaval. Zuca, a minha então chefe, precisava de uma repórter para participar da cobertura nacional do Band Folia e apostou em mim, mesmo sem tanta experiência e acabando de chegar. O trabalho foi super legal. Conheci o pessoal daqui de São Paulo; Raimundo Lima, Juca Silveira e Walkíria Hamu falaram que gostram do meu trabalho, me deram várias dicas e disseram que apostavam em mim. Fui ao céu. Foi uma injeção de força e alí foi plantada a sementinha da vontade de vir para São Paulo. Eu não era repórter de rede, era apenas local, mas como não queria que eles me esquecessem redobrei o trabalho. Trabalhava num turno para o jornal local e no outro ficava insistindo para os meus chefes para fazer reportagem para o nacional. E conseguia emplacar as matérias. Aí, meu atual chefe de São Paulo, Fernando Vieira de Mello, reparou em mim. Agora vem a parte mais engraçada da história... O repórter lá de Salvador que fazia as matérias nacionais entrou de férias, Zuca perguntou se eu preferia ser apresentadora do programa local, o Band Cidade, ou cobrir as férias dele. Não pensei duas vezes e fiquei com a reportagem. Só que ficou um ´buraco´ na minha vaga e que precisava ser preenchido para o nosso jornal local. Aí, São Paulo mandou uma repórter que estava começando e trabalhava como rádio escuta, a Juliana. Quando Juli chegou, nos demos muito bem. Fui sua guia turística: levei para comer acarajé, show do Olodum, apresentei amigos e levei até para minha casa de praia. Acabei seduzindo ela com os encantos de Salvador e tive uma idéia: Pedir para ela ficar mais um mês lá na terra maravilhosa e eu ir para o lugar dela em Sampa. O que acham da troca? Ela topou. Agora faltavam os chefes de Salvador... A resposta de imediato foi não. Seria mais um mês de gasto extra. Falei que resolveria o problema. Corri atrás de hotel mais em conta para Juli, permuta em restaurante, coloquei minha casa na troca também, disse que pagaria minha passagem e que em São Paulo ficaria na casa de parentes. Mostrei a proposta e disse que com tudo resolvido e sem gasto ele não teria como negar. Meu chefe disse: "Nunca vi pessoa tão insistente e chata. Vá logo. Vá arrumar as malas". Ele acabou bancando passagens, hotéis, tudo. Agora teria um outro probleminha... A vaga de Juliana era de rádio escuta, de produção, não de repórter. Mas como os orixás estão comigo, um repórter do Jornal da Band tinha acabado de entrar de férias. Pronto, fiquei um mês fazendo reportagem para o principal Jornal da casa. Na época, conheci pessoalmente Fernando Vieria de Mello e Carlos Nascimento, e disse para os dois que queria voltar para ficar. Isso foi novembro de 2005. Em abril de 2006, pouco depois do carnaval eles me chamaram.


Como é a sua relação com o Boechat e o Joelmir? Muitas vezes os telespectadores acabam presenciando momentos de descontração...
E é mesmo muito descontraído. É um estilo bem "Boechat" que estou aos poucos aprendendo. Ele é muito espontâneo, é exatamente o que a gente vê na televisão e ouve na rádio. Não gosta de nada combinado, detesta jogo de cena e o que chama de "teatralizar" o jornalismo. Nenhum comentário é previamente acertado. Ele decide na hora falar. Joelmir tira de letra, eu e o diretor de TV às vezes somos pegos de surpresa. Quem sou eu para falar dele? Mas na minha modesta opinião, Boechat tem duas características raras na televisão: é original e não é vaidoso. Aprendo muito com ele. No ar tem aquele jeitão carioca, cheio "de marra", descontraído, mas na redação, salve-se quem puder. Ele é o terror dos editores. Não deixa passar um ´s´ fora do lugar. Joelmir para mim é um ícone. Também não sou ninguém para falar do economista e profissional que ele é, mas sei que nunca vi uma pessoa tão culta educada. Parece que sabe de todos os assuntos do mundo. E eu no meio dessa dupla...



Fonte: Portal EBand

18 de dez. de 2009

Entrevista: Joyce Ribeiro

A jornalista Joyce Ribeiro (foto) é contratada do SBT desde 2005 e atualmente apresenta o “Boletim de Ocorrências”. Em entrevista exclusiva ao site da emissora, Joyce explicou como é conciliar carreira e vida pessoal, ela ainda revela os desafios de apresentar um jornal ao vivo.

Como está a nova fase da carreira?
O “Boletim de Ocorrências” marca uma nova etapa profissional e eu estive me preparando para isso nos últimos anos. No “B.O.” abordamos assuntos violentos, que nos fazem pensar em uma saída para esta onda de criminalidade que se espalha pelo país e pelo mundo. Transmitir estes assuntos violentos exige muito dos profissionais que trabalham no jornal. Nosso objetivo maior é levar a verdade, tratando todos os assuntos com respeito, evitando exageros desnecessários. Como apresentadora e editora esta nova experiência tem sido um grande aprendizado.

Você fica nervosa por ancorar um programa sozinha e ao vivo?
Apresentar os jornais ao vivo sempre provoca um pouco de tensão, nervosismo; mas com o passar dos anos estes sentimentos ficam mais fáceis de serem controlados. Hoje em dia domino com segurança as situações que precisamos enfrentar diariamente quando estamos no ar. A concentração deve ser total, pesquisamos os detalhes de cada assunto para transmitir as informações mais relevantes com propriedade e segurança. As duas formas de apresentaros jornais, sozinha ou em dupla, são prazerosas. Apresento o “Boletim de Ocorrências” sozinha e gosto muito. Os outros jornais da emissora são apresentados em dupla e esta interação na bancada também é muito rica.

Na maioria das vezes, as reportagens exibidas no programa são sobre violência. Você se envolve com elas?
Infelizmente a criminalidade é crescente não apenas em nosso país, mas no mundo todo. Levar estes assuntos para os telespectadores é uma tarefa difícil, já que os casos são cada vez mais impressionantes, todos os dias fico indignada ao ter de transmitir determinadas notícias. Ao longo do dia são muitos os casos que chegam até a redação, todos eles provocam debates entre os colegas, pois mesmo tratando destes assuntos diariamente ficamos muito impressionados.
Para você, que também já apresentou a previsão do tempo, o que é mais difícil: ser cobrada nas ruas por prever sol e chover ou lidar com as tragédias no “Boletim de Ocorrências”?
A cobrança das pessoas em relação à previsão do tempo é quase sempre bem divertida e leve, elas fazem piadas nas ruas, dão risadas, é divertido. Falar sobre a violência, sentir o medo e a indignação, isso sim é muito difícil. Sinto o sofrimento e a descrença no olhar das pessoas quando me abordam nas ruas e falamos sobre as tragédias, assassinatos, os terríveis casos de pedofilia, as balas perdidas que tiram a vida de inocentes, de gente de bem… casos que infelizmente crescem a cada dia. O brasileiro está cansado e cobra mudanças imediatas para esta situação insustentável.

Você trabalha à noite. Como é conciliar o trabalho com a vida pessoal?
Trabalhar em horários alternativos, principalmente em uma grande cidade como São Paulo, só ajuda. Hoje estou totalmente adaptada e gosto muito de trabalhar a noite. Conciliar todas as tarefas do dia-a-dia não é tarefa fácil, é difícil e cansativo, mas com um pouco de disciplina e organização tudo fica possível. O mais importante é fazer aquilo que você ama, aquilo que você sonhou fazer. Quando isso acontece, horários, correria, cansaço ou falta de tempo ficam em terceiro plano.

Como é trabalhar no SBT?
Comecei a trabalhar aqui em 2005, quando apresentei o “Jornal do SBT Manhã” e também fazia eventualmente o “SBT Brasil”, substituindo a jornalista Ana Paula Padrão. Desde então já participei de alguns jornais, como o “SBT São Paulo”, o “Aqui Agora”, fiz a previsão do tempo e reportagens. Em todas estas experiências e ainda hoje, atuando como editora e apresentadora. Durante estes anos aprendi muito com meus colegas de redação, sempre admirei o trabalho dos grandes apresentadores que trabalham aqui na emissora e me sinto extremamente feliz por hoje, fazer parte deste grupo. Encontrar o ambiente de amizade e companheirismo que existe aqui foi um presente. É maravilhoso conviver com pessoas que amam o que fazem e lutam muito para fazer programas e jornais de qualidade. Este é o sentimento que predomina em todos os cantos da emissora.
Fonte: Site Oficial do SBT